Santiago – Chile

6 set de 2011
 

escrito por: em Dicas, Histórias, Viagens

Pra variar, toda viagem que faço tem uma resenha diferente pra contar.
A viagem estava marcada para 07.jun e devido a um leve contratempo, tivemos que adiar nossa ida. Sim, nossa, afinal, dessa vez não fui sozinho, Aninha teve que me aturar por 13 dias nessa viagem fodástica ao Chile.

Sim, caceta, e o contratempo? Ahhh, o contratempo. Como todos devem ter ficado sabendo, um vulcão decidiu entrar em erupção de propósito só pra foder com nossa viagem. O Puyehue, que estava “adormecido” desde os anos 60, resolveu filhadaputiciar com alguém e esse alguém fomos nós. Tivemos que adiar nossa viagem para o dia 12.jun.

Tínhamos feito um roteiro para 11 dias de viagem. Nele, além da capital chilena (2 dias e 1/2), nos programamos para conhecer Pucón (5 dias), Puerto Varas (3 dias), Puerto Montt (não chegamos a ir), Viña del Mar, Reñaca e Valparaíso (1 dia para os três já que são todas praias vizinhas).

Agora vamo deixar de lenga-lenga e falar sobre o que interessa.

Santiago

Sobre a cidade

É a capitale maior cidadedo Chile. Está localizada na Região Metropolitana de Santiago, no vale central chileno, ao lado da Cordilheira dos Andes. É o centro cultural, administrativo, industrial e financeiro do país. (fonte: wikipédia)

Santiago é muito bem planejada urbanisticamente, limpa e segura. Repleta de praças, museus, restaurantes, centros de compras e construções de vários estilos arquitetônicos. Enfim, uma cidade que mistura o velho e o novo de forma bem harmoniosa.
Além do fato de ser cercada pela Cordilheira dos Andes, tornando-a ainda mais atraente. Não é à toa que a cidade é a terceira melhor em qualidade de vida da América Latina, ficando atrás somente de Montevidéu e Buenos Aires.

Sobre as pessoas, elas foram bastantes educadas e receptivas, não tivemos nenhum problema desde a chegada até a volta.
Uma das coisas que me chamou muito a atenção foi senso de cidadania que o povo tem. O mesmo vi em Buenos Aires, um grande exemplo a ser seguido por nós brasileiros, dos nossos vizinhos de “quarteirão” (já que o Chile não faz fronteira com o Brasil). Falo isso pois vimos de perto muitas cidades aderirem a uma mobilização por uma educação de melhor qualidade. Vimos estudantes, ONGs, sindicatos e grande parte da população empenhada e lutando por esse direito. Mas infelizmente, a corrupção não é um problema só nosso.

Existem também as famosas estações de esqui, que ficam abertas de junho a outubro. Algumas estações são voltadas a um público mais experiente como por exemplo a mais famosa delas, a Valle Nevado (que também não é das mais baratas). Mas existem estações para todo tipo de “atleta” e bolso.


O Câmbio

A moeda no Chile é o Peso chileno (CLP). Deixamos para fazer câmbio em Santiago.
Como chegamos muito tarde (00h45), tivemos que trocar uma grana no próprio aeroporto (Arturo Merino Benítez), a cotação estava $248 – R$1 (muito baixa).
No centro da cidade existem muitas casas de câmbio, principalmente na Rua Augustinas. Andamos muito até achar a melhor cotação ($274) na AFEX (que existe por todo o país), mas cada casa tem sua administração e cotação própria. Então pesquise bem antes de cambiar.


Transportes

Ônibus
Optamos por não utilizar ônibus, afinal, o trânsito não é do melhores e poderíamos perder muito tempo. Mas vou passar algumas informações sobre os “busão”. As passagens podem ser pagas diretamente ao motorista. Existe também um cartão (tarjeta bip) que pode ser comprado nas estações ou pontos espalhados pela cidade. Este cartão é válido tanto para os “busão” quanto para metrô e trem.

Metrô
Aí não viu. Aqui o esquema é outro. Funciona que é uma beleza. Santiago é muito bem servida de metrô, com 5 linhas que te levam para quase todos os cantos da cidade, realmente muito eficaz e barato. As estações operam de seg a sáb das 06h00 às 23h00 e no dom e feriados até as 22h30.

Táxi
Taxista é o que não falta. Lá existem três tipos de táxis, os tradicionais, os radiotáxis e os coletivos. Os “oficiais” são pretos e amarelos.

Os tradicionais: você para na rua e a corrida é contada pelo taxímetro (pode negociar o valor com o taxista).
Radiotáxis: são mais caros e operam com tarifas pré-estabelecidas. Geralmente indicado nos hotéis, albergues, e afins. Se o táxi for chamado pelo hotel, às vezes é paga uma “comissão” ao estabelecimento, que quem paga é você. A vantagem é a segurança, pois até o nome do motorista você fica sabendo.
Coletivos: esse é o mais style pra mim. É como se fosse essas “vans”, onde existe um trajeto definido e uma tarifa que varia de acordo com a distância. A vantagem é o preço (sai bem mais em conta) e o conforto (já que considero carro mais confortável que ônibus e metrô). Eles têm uma sinalização em cima dos carros que informa o trajeto.

Carro
Existem vários lugares para se alugar um carro em Santiago. Não recomendo muito fazer isso para conhecer a cidade, afinal existem opções mais econômicas e viáveis. Mas caso você queria conhecer outras cidades próximas, é uma opção a se levar em consideração. Pesquise bem e negocie com a agência antes de alugar.

Bicicleta
Hoje em dia é bastante comum explorar uma nova cidade com esse tipo de transporte. Além de ser bem econômico e ecologicamente correto, você ainda se exercita enquanto conhece a cidade. No hotel, pousada, albergue e afim que você vai ficar, com certeza eles tem informações sobre aluguel de bike, em alguns casos, até o próprio estabelecimento oferece.

Pés
O mais econômico de todos e dependendo do seu roteiro, o mais indicado.


Pontos turísticos

Como ficamos hospedados no Centro, os principais pontos turísticos estavam bem próximos da gente. Conhecemos a Plaza de Armas onde ao seu redor ficam o Centro de informações turísticas, a Catedral de Santiago, a Prefeitura e o Correio Central.
Praticamente na rua de trás fica o Museu Nacional, a Casa Colorada (museu de Santiago), a Basílica de la Merced, o Museu de arte Pré-Colombino, o Tribunal de Justiça e Ex Congresso Nacional.

Sete quadras depois da Plaza de Armas fica o Palácio “La Moneda”, a residência do Presidente. Não sabíamos, mas a bendita casa é aberta a visitação. Perdemos essa boquinha.

Três quadras depois da Plaza de Armas fica o famoso Mercado Central. Achei impressionante a semelhança com o Mercado de São José no centro do Recife. Com a organização e higiene do São José, o Mercado Central não faz inveja (puf!).

Um lugar que você não pode deixar de conhecer é o Cerro de Santa Lucia (faça o que digo, não faça o que eu faço), infelizmente não sabíamos o quão impressionante era a vista de lá de cima e não reservamos tempo para conhece-lo.

Outro cerro também que vale a pena separar um tempo para conhecer, é o San Cristóbal. Lá você encontra Zoológico, teleférico e as porra, é grande d+. Próximo a ele se encontra o Museu Neruda (poeta muito famoso no Chile e no mundo, ganhador do Prêmio Nóbel de Literatura em 1971).

Conheça também o Museu de Bellas Artes (o mais antigo da América Latina), a Estação Central, o Parque Metropolitano (infelizmente o tempo estava chuvoso, mas ainda manteve seu ar romântico, muito frequentado por casais de turistas e também sarreiros de plantão). Vimos uma fonte fodástica lá também, mas não sei o nome, só sei que é depois do cerro de Santa Lucia.

Um dia na tentativa de chegar à Cordilheira, saímos andando do Centro até o bairro Providência, ou seja, não chegamos nem na metade do caminho e passamos de 8h a 9h caminhando contra o vento sem lenço e sem documento, na esperança de alcançar a “Cordilha”. Apesar da frustração, valeu a pena (ê, ê), o bairro da Providência é outra atração a parte.

Existem muitos outros lugares interessantes para se conhecer na capital chilena. Mas infelizmente o tempo que separamos para cidade foi insuficiente.


Lazer

Além dos seus encantos turísticos, a cidade oferece várias opções de lazer. Já falamos um pouco das estações de esqui, sobre o que conhecer, mas esse tópico eu vou reservar para escrever sobre a noite santiaguina.

Saímos duas noites lá. Na primeira fomos tomar uma cerveja no Donde Zacarias (lugar não tem nada d+). O clima estava pedido uma bem gelada. afinal, a temperatura batia uns 10°C e nada mais apropriado pro momento. Pedimos também um pisco, a famosa cana chilena. Essa porra custa os olhos da cara e tem gosto de PITÚ. Não demoramos muito, pois na mesma noite partimos para Pucón.

Gastos: 1 cerveja + 1 pisco + 1 sprite = $3.890
Na segunda noite, fomos para o bairro da Providência. Na minha opinião, se não tivéssemos ficado hospedados no Centro, esse bairro seria nossa opção.
Lá é onde a noite santiaguina acontece, vários bares e restaurantes espalhados para todos os gostos e bolsos.
Depois de rodar um bocado, entrando nos bares e conhecendo os ambientes, decidimos tomar uma em um pub muito foda que achamos lá, o El Patio Café (av. Providência 1270). Com um ambiente meio dark e uns sons (rock ‘n roll e jazz) rolando de fundo, deixava o lugar ainda mais interessante.
No mesmo dia passou o jogo do Santos na final da Libertadores, então já viu, dois brasileiros contra um bar inteiro de “anti-futebol brasileiro”. Deu pra dar algumas risadas depois da vitória do Santos.
Pedimos algumas cervezas, pisco, uma caipirosca, uma sprite e uma porção de camarão ao alho e óleo, como sempre, tudo que você pede para comer, eles te servem alguns pães de entrada.
Infelizmente como o último metrô passava às 23h, não poderíamos ficar muito mais tempo lá. Mas recomendo a todos que forem pra Santiago.

Gastos: 4 cervejas + 1 pisco + 1 caipirosca + 1 água + 1 porção de camarão ao alho e óleo = $15.300


Alimentação

Tivemos nossos altos e baixos. No primeiro dia que fomos comer, procuramos um lugar que fosse barato e bom. Rodamos muito. Chegamos a ir ao mercado central avaliar as opções. Lá, fomos logo abordados por um caboclo que veio nos mostrar o cardápio com várias opções de frutos do mar (meu ponto fraco). O cara mostrou um caranguejo que era maior que minha cabeça, mas quando falou o valor, o bicho deveria ser maior que um cachorro pra valer a pena. $40.000 (em torno de R$148)
pirou o cocão geral esse cara.

Decidimos andar mais e ver outras opções. Depois de algumas horas de caminhada, chegamos a um restaurante bem interessante, pelo menos no visual. O Schopdog.

Os pratos não vem com muitos acompanhamentos a como estamos acostumados aqui no Brasil. Geralmente vem arroz e um pedaço de carne, ou frango, ou peixe, ou qualquer coisa que seja, mas sempre com pães na entrada.
Esse restaurante até valeu a pena.

Gastos:
1 pollo (frango) jardineiro = $2,190

1 carne saltada = $2,790
2 sucos = $2,580

total = $7,560 (R$ 28 – que diferença do caranguejo do cara)
No jantar fomos a uma mc donalds na rodoviária.

Gastos:
3 Mcnifica + 1 coca peq + 1 coca média = $4310 (R$ 15,96)

No segundo dia em Santiago, acordamos um pouco tarde e decidimos almoçar no prédio do albergue que ficamos.
Esse foi o dia da maior surpresa alimentícia de todos os tempos. Pedimos o cardápio, mas pouco entendiamos sobre o que eles ofereciam. E o que queríamos, eles não tinham.
Comecei então a perguntar se tal prato era bom. Apontei pra um prato no cardápio e ele me fez um sinal positivo, perguntei se era bom, recebi um outro sinal de positivo mas com uma expressão a mais em seu olhar. Decidi perguntar se ele gostava daquele prato, e a resposta foi não um, mas DOOOOIS sinais de positivo e uma dancinha típica. Era quase tudo que eu precisa ver e ouvir, mas ainda faltava o principal: “vem muito???”. Eis a resposta: os olhos dele brilharam a dancinha se transformou em um ritual e alguns gritos foram ouvidos vindo da cozinha, três pessoas começaram a correr desesperadamente. De repente tudo para, ele dá um sorrisinho e diz “Sí claro, viente un montón de comida”.
Não acreditando, pedi arroz de acompanhamento, só por garantia.

Algum tempo se passou e quando achávamos que ele tinha esquecido da gente, ele vem com aquele prato na mão. Era um pedaço da perna de alguém, e alguém que gostava de malhar e não gostava de depilação, pois a perna era gigante e veio cheia de pelinhos. Não lembro o nome do prato agora, mas algo inspirado em algum episódio dos Flinstones.
Não só a aparência do prato era péssima, quanto o gosto era horrível.
Aninha foi mais conservadora, pediu um bife à milanesa (esperta).

Eu gosto de quando viajo experimentar os pratos típicos do país ou cidade, ou qualquer lugar que esteja, mas nesse dia eu não tive muita sorte, mas o que vale são as histórias. Né?

Gastos: não temos mais a nota. =/

A noite neste dia fomos para o Pub no bairro da Providência. Como já disse, lá tem muitas opções de bares e restaurantes.


Hospedagens

Chegamos em Santiago sem reservas. Passamos algum tempo tentando decidir pra onde ir (consultando nosso livro guia. Não, não era a bíblia, é o guia O Viajante, livro de Zizo Asnis) e não chegávamos a uma decisão.
Depois de alguns minutos andando no aeroporto, conhecemos uma mulher (Patrícia) que recomendou um hotel 3 estrelas no Centro, o Ciudad de Vitoria Hotel.
Pegamos um táxi e fomos para o hotel. Bem localizado, um preço razoável (para um hotel) e o quarto até confortável, só a vista que não era das melhores, mas pela hora e falta de opção, estava perfeito. Só não gostei mesmo foi que a internet era paga (U$5 doletas por dia, cerca de R$8,00).

Gastos: diária = $47.000 (aproximadamente R$174)

No segundo dia na cidade, decidimos procurar um hostel. Pesquisamos e decidimos ficar no Andes Hostel, mas chegando lá, recebemos a péssima notícia que o mesmo se encontrava LOTADO.
Fomos no centro de informações turísticas e pegamos mais informações sobre outros hostels que ficavam no Centro.
Escolhemos o Plaza de Armas Hostel, que na minha humilde opinião, acho difícil encontrar um hostel tão bom. Em primeiro lugar a localização, no centro do centro. Ao lado de 2 estações do metrô, próximo de vários pontos turísticos, restaurantes e do comércio.
Vale considerar também o atendimento, muito bom. Todos que nos atenderam foram muito educados e tranquilos.
O hostel fica em um prédio que é uma mistura de residencial com empresarial. Fica localizado na cobertura. Com vários quartos, dos coletivos (dormitórios), aos quartos que na verdade são apartamentos com sala, cozinha, banheiro, varanda e até um mini escritório pelo preço de um quarto duplo. Esses apartamentos ficam em andares diferentes, mais recomendados para casais. Mas se você prefere ficar em contato com a galera, na cobertura também tem quartos de casal, triplo, quadruplo … e alguns deles com uma mega vista para o centro da cidade.
Ficamos em um dos apartamentos, como dito antes, ele é completo. Tem internet, geladeira, fogão, tv a cabo e uma vista que pqp, só não mordomo.
Eles não tem frescura com horário, pode sair e chegar quando quiser sem problemas.

Custos: diária = $28.000 (R$103). Ficamos duas noites.
Total = $56.000 (R$206)


Compras

Os preços de algumas coisas no Chile são semelhantes aos daqui do Brasil.
Eletrônicos por exemplo, não são dos mais baratos, mesmo a carga tributária sendo bem menor que a daqui.
Mas uma coisa que me chamou a atenção foram os preços dos carros. Puta merda. São muito mais baratos que aqui.
O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de automóveis do mundo; e se não for o maior, é um dos países que paga mais caro por esse bem. E fique sabendo também, que exportamos carros para lá. E o mesmo carro que é vendido lá, é vendido aqui, só que com o preço MUITO inferior.
Mas não fui pra lá pra comprar carro, nem muito menos to aqui pra falar de economia mundial (só a do seu bolso mundo afora).

Equipamentos esportivos não são tão baratos. Já roupas e sapatos, vocês precisa pesquisar um pouco para encontrar lojas que realmente valham a pena.
Achamos uma rede de brechó que é a vala “mow vei”. “Fizemo” a festa.
Compramos vários casacos de couro (ecológico), camisas e sobretudo, quase 10 peças de roupas, tudo de marca fodástica e gastamos $85.000 (R$ 310).
Pra quem tiver interesse de conhecer e ver como a parada é massa, a loja fica no centro, na rua Moneda, n. 766 ou na mesma rua n. 1141, Centro. O nome da loja é Top Fashion Store. Tem em outros bairros também, mas não pegamos o endereço. Sei que na Providência também tem.

Custos: $85.000 (R$ 310)

Custos

Táxi: $22.000 (ida e volta do aeroporto)
Metrô: em torno de uns $7.000

Lazer: bares: $19.190 + Museu de Bellas Artes $6.000. Total = $25.190
Alimentação: almoço dia 1: $7.560 + jantar dia 1: $4.310 + almoço que não lembro o valor (deve ter sido algo em torno de $7.000). Total = $18.870

Hospedagem: 1 diária no Ciudad Vitoria = $47.000 + 2 diárias no Plaza de Armas Hostel = R$56.000. Total = $103.000

Compras: $85.000

Média total de gastos em 3 dias em Santiago: $254.060 (R$ 927.22) para duas pessoas.

Nossa estadia em Santiago foi meio louca. Pois, chegamos no dia 13.06, no mesmo dia fomo para Pucón (próximos posts), depois para Puerto Varas, depois Pucón de novo e só no dia 22.06 retornamos para capital chilena para passar o final de nossas férias.

Depois eu conto mais de como foi conhecer as outras cidades chilenas, que pra mim foram muito mais punk que a capital.


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