Pucón – Chile

28 mai de 2012
 

escrito por: em Dicas, Histórias, Viagens

Pois é galera, como tinha prometido, aqui está a segunda parte sobre a viagem à República do Chile. Trip realizada com minha namorada Ana.

Dessa vez, a parada foi em uma cidadezinha localizada aos pés do Vulcão Villarrica, na Região dos Lagos.
Com aproximadamente 25 mil habitantes e a 780km da capital chilena, Pucón conquista a todos pelo seu charme e belezas naturais.

A temperatura pode variar de 3ºC no inverno a 25ºC no verão.

A cidade atrai todo tipo de turista. Para aqueles que querem relaxar, Pucón oferece várias opções, como caminhadas pela beira dos lagos e parques, termas naturais (onde a temperatura de algumas podem atingir mais de 40ºC), até um passeio pelas ruas da cidade já desperta uma certa paz, devido a sua tranquilidade e beleza que é a cidade como um todo.

Pucón também é ideal para aqueles que são atraídos por aventura e adrenalina. Para isso, o lugar oferece um grande número de atrações, como paraquedismo, rafting, mountain bike, escalada ao vulcão e, no inverno, esqui e snowboard são ótimas alternativas também.

Chegando à cidade, recomendo dar um pulinho no Centro de Informações Turísticas, que fica na Av. O’Hoggins 483 (principal rua da cidade). Lá funciona todos os dias das 9h às 19h e no verão vai até as 22h. Quando estivemos lá, fomos super bem atendidos. Nos deram mapas e várias dicas de onde ficar, comer e o que fazer na cidade.

 

Dia 1

Chegamos ao Terminal de Buses JAC em Pucón no dia 14/06/2011 às 8h, depois de uma viagem de quase dez horas saindo de Santiago.
Dica: Se você quer economizar quando viaja, dê preferência às viagens noturnas, pois assim você já poupa um dia de hospedagem.

Pra variar, não tínhamos reserva em nenhum albergue, mas pesquisamos sobre os mais recomendados. Só não sabíamos como chegar até eles.
Mas perguntando aqui e ali, chegamos ao La Bicicleta (Calle Palguin, 361), lugarzinho irado, bem acolhedor e aconchegante. Fomos muito bem recebidos por José e Francisca, os proprietários do hostel, um casal nota 10, sempre prestativos e dispostos a ajudar no que fosse possível. Ainda sobre este albergue, não podia deixar de falar da Dona Guadalupe, que além da simpatia, me proporcionou as melhores refeições que pude experimentar na cidade. Especialista na culinária típica chilena, ela nos serviu pratos que até hoje fico com água na boca só de lembrar, um deles foi a Cazuela, uma sopa completamente fantasticamente fenomenal.
Uma dica: os hóspedes têm desconto nos pratos do restaurante ;) .

Depois que nos instalamos no albergue, organizamos nossas coisas e partimos para explorar a cidade.
Caminhamos pela Av. O’Higgins (principal rua da cidade) e redondezas.
Ficávamos observando a arquitetura das casas, que pareciam aqueles chalés suíços. A vontade que dava era de entrar em uma casa daquela e ficar por lá mesmo.
Depois de algumas voltas, chegamos em um lago, o La Poza. Passamos algum tempo admirando a paisagem e os animais que por ali circulavam.

 

 

Deixamos os mapas um pouco de lado e fomos descobrindo o que o centro da cidade tinha a nos mostrar.
Com alguns minutos de caminhada, achamos um pequeno museu mapuche. Tiramos algumas fotos, trocamos uma ideia com a única funcionária da casa, sobre a história mapuche e seguimos passeio.

Encontramos em seguida um lago gigante, que mais parece uma praia, por isso a origem do nome Playa Grande. Caminhamos pela margem, tiramos algumas fotos e ficamos mais uma vez deslumbrando aquela paisagem.
Queria dar um mergulho também, mas depois de colocar a mão na água, desisti na hora da ideia.

Depois desses passeios, fomos procurar algum lugar para almoçar (às 16h). Como ainda não conhecíamos os poderes culinários da Dona Guadalupe, ficamos rondando pela cidade até achar algum restaurante que nos interessasse.
Acabamos que depois de andar muito, entramos em um que nem me lembro o nome agora. Pedimos salmão, o meu mais parecia uma porção gigante de sashimi (sem fatiar), pois o mesmo estava praticamente cru.
Lá, geralmente os pratos são servidos com apenas um acompanhamento, nesse caso arroz. Me senti em um restaurante japonês onde você mesmo prepara seu sushi, afinal, já tínhamos o salmão cru e a porção de arroz, agora era só contar com nossa criatividade de como comer aquilo.

 

Com a chegada da noite, fomos dar mais uma volta pela cidade à procura de algum lugar para tomar uma breja chilena e depois dormir.

 

Dia 2

 

No segundo dia, contratamos uma agência para nos levar ao Parque dos Saltos de Marimán, ao Super Lago Caburgua e finalmente conhecer as termas de Quimey-co.

 

Uma dica: Recomendo alugar um carro na cidade (custo em torno de R$50 a diária + combustível) e fazer esse passeio sozinho, basta ter um mapa no bolso ou um GPS.
Optamos por contratar um guia, pois não nos planejamos muito bem, mas depois de conhecer mais a cidade e conversar com algumas pessoas, acabei achando que essa seria uma boa opção. Outra dica também, mas essa é pra quem está com o condicionamento físico em dia, é alugar uma bike e partir pra explorar a cidade. Com o custo em torno de R$15 você passa o dia inteiro rodando. Na rua O’Higgins você vai encontrar milhares de opções para ambas alternativas.

 

O passeio estava marcado para a tarde, então tiramos a manhã para rodar. Conhecemos um pouco mais a cidade, tiramos umas fotos maneiras e até tentamos invadir uma fazendinha que tinha por lá para tirar algumas fotos.

Depois do almoço, dessa vez no próprio hostel (já disse que a comida de lá é ótima, não?), esperamos a van nos pegar e partimos para os passeios.

Durante a ida, fizemos algumas paradas para o guia explicar um pouco de cada ponto. Um deles foi um dos caminhos por onde a larva do vulcão escorre quando ele entra em erupção. Aula de geografia cumprida, vamos voltar para aventura.

Chegamos nos Saltos de Marimán. Fizemos uma trilha leve até chegar nos saltos e corredeiras. Lá a galera pratica Kayaking, mas como estávamos próximo do inverno, não era recomendado, afinal a água estava a uns -377ºC.
Caminhamos mais um pouco e chegamos à Lagoa Azul (todo canto do mundo tem uma, impressionante). Segundo o guia, no verão a galera costuma mergulhar nela, pulando das árvores ou de onde sua coragem permitir, ele nos contou que a Lagoa tem 12 metros de profundidade e durante os meses de janeiro a março quando a água está mais “calma” e quente, você consegue enxergar o fundo. Fiquei louco pra mergulhar, mas meu tecido adiposo ainda não é grosso o suficiente para me arriscar em um frio daquele e quem é mole pra frio, ta aqui o/ .

 

Saindo da lagoa, fomos conhecer as “cachoeiras irmãs”. De um lado, um lago tranquilo que te leva a uma queda d’água de uns 10mts que despeja toda força em um outro lago que é castigado por outra cachoeira do outro lado. Um lugar muito bonito e tranquilo. Achei massa pra acampar por ali, mas como ir com guia tem suas limitações, só fiquei na vontade.

 

Depois do Parque, partimos para o Lago Caburgua, onde passamos pouco tempo. Tiramos algumas fotos, ficamos “viajando” de como seria morar em um lugar assim (até hoje penso nisso) e aproveitamos um pouco a paisagem.

 

 

Já no meio da tarde, pegamos a estrada e fomos conhecer as famosas termas de Quimey-co.
Uma obs: em Pucón existem várias termas, tem mapas que apontam os caminhos para chegar em todas elas. Com mais tempo e de forma independente vale a pena conhecer algumas.

Quando chegamos às termas, fiquei meio surpreso, pois achei que essa seria algo bem natural, mas assim que entramos na área, me deparo com um spa.
Pra mim tudo bem, já estava lá mesmo. Vamos curtir e aproveitar o que se tem.
Confesso mais uma vez que passei um bom tempo pensando, em por que não morar em um lugar assim. Paisagem impressionante, digna de passar alguns bons minutos olhando para os quatro cantos.

 


Um riacho corta o lugar que é cercado por cerros e montanhas. Mais uma vez, tentei entrar na água, mas corri na mesma hora.
Aproveitei pra correr para as termas onde Aninha já se esbaldava naquela fonte natural com a temperatura na média de uns 40ºC. Passamos um bom tempo conversando enquanto relaxávamos naquela “piscina” particular.

 


O lugar também oferece uma terma fechada e claro que fomos nela também. Pegamos as toalhas e corremos para dentro do spa, porque ficar sem camisa e molhado em ambiente aberto fazendo 7ºC não é muito minha praia não.
Uma coisa eu posso dizer sobre essa terma fechada, eu NUNCA em toda minha vida, me senti tão relaxado e bem comigo mesmo quanto naquele momento. Eu fechava os olhos e só “viajava”, ao fundo umas músicas tântricas que te tiravam todo o estresse. Porra, só de lembrar, eu já relaxo. E tudo isso só pra gente, queria mais o que da minha vida?
Tentei até comprar o cd que tocava, mas a recepcionista disse que não estava a venda (joguei ela no riacho pra deixar de ser escrota).
Recomendo a todos, não deixem de conhecer essa terma.

 


Na caída da noite (que lindo isso), entramos no chalé, tomamos chocolate quente e ficamos trocando uma ideia com as espanholas que estavam no passeio com a gente e o guia.
O passeio chegava ao fim.

 

À noite, voltamos para o hostel. Pegamos umas merrecas e fomos no supermercado comprar alguma coisa pra jantar. Depois disso foi cama, pois tínhamos uma meta de subir o Vulcão Villarrica.

 

Dia 3

 

Acordamos cedo e fomos andar mais um pouco pela cidade. Não podíamos subir o vulcão, pois o tempo estava muito fechado. Então decidimos aprender a esquiar =D.

Depois de pesquisar sobre preços e opções (esqui ou snow), escolhemos uma escola que fez um bom desconto. Nos deu guia, transporte, equipamento e uma breve aula.

O tempo não estava dos melhores para quem pretendia esquiar, pois, não tinha tanta neve e a estação de esqui ainda estava fechada. Mas como éramos marinheiros de primeira viagem, decidimos encarar assim mesmo.

Pegamos a van e subimos até a base do vulcão, onde fica a entrada da estação de esqui.

No começo era um cai-cai desgraçado, mas aos poucos fui pegando o jeito e já no final do dia já tava tirando a minha ondinha. Segundo o instrutor, já estava pronto pra encarar as pistas e os maiores torneios do mundo (#soufoda).

Aninha se esforçou pra conseguir tirar a ondinha dela, mas preferiu ficar brincando de fazer boneco de neve (infelizmente, não conseguimos trazer o mesmo para Recife, o coitado não sobreviveu o caminho de volta. #salveSnowFlay).

À noite fomos procurar algum lugar para jantar, acabamos que escolhemos uma lanchonete quase que do lado do hostel. Pedimos uns sandubas e curtimos o fim da nossa noite.

Dia 4

 

Nossa estadia em Pucón estava terminando e não tínhamos conseguido subir o vulcão, infelizmente o tempo ainda não estava dos melhores no cume.
Então, para variar um pouco, fomos dar uma volta pela cidade e tirar algumas fotos.
Como seria esse nosso último dia em Pucón, tentamos aproveitar da maneira mais tranquila possível, indo nos lugares que mais curtimos e relembrar os bons momentos de cada canto.

 

À noite, fomos tentar a sorte no cassino. Jogamos um pouco nos caça-níqueis, perdemos alguns milhares de dólares e fui decidido a recuperar tudo na mesa de poker, por que aí “mô vei”, eu tiro onda. Porém, infelizmente, na mesa tinha um casal que jogava em par, falei com uma das recepcionistas, mas foi em vão, acabei deixando o casal se divertir sozinho e economizar alguns milhares de dólares deles.

 

No próximo dia partiríamos para Puerto Varas e infelizmente o tempo não permitiu que subíssemos o vulcão. Mas a nossa história não acaba por aí.
Depois de passarmos 3 dias em Puerto Varas, voltamos para Pucón para encarar essa aventura.

 

Dia 5

 

Como dito anteriormente, passamos 3 dias em Puerto Varas e voltamos para Pucón, só para subir o vulcão, pois nesse dia o tempo estaria limpo.

Fechamos com o mesmo grupo que nos levou para esquiar, o Volcán Villarrica Tour Operator. Desde já, aviso que não recomendo esse grupo. Durante a história vocês vão entender o porquê.

Na volta a Pucón, o La Bicicleta estava lotado, então procuramos outros hostel e encontramos o Hostal Carmen (Calle Arauco, 460). O albergue é uma casa onde mora a mulher com seu marido e filha e aluga quartos. A senhora é super simpática e o quarto em que ficamos era fantástico. Quarto Duplo com suíte e ainda mais barato que o La Bicicleta.

Cochilamos um pouco, pois teríamos que nos encontrar com o grupo as 5h da matina de frente à escola.
Pegamos nossos equipamentos, recebemos algumas instruções e partimos para o vulcão.

 

 

Sobre o Vulcão Villarrica
Seu cume se encontra a 2843 m de altitude. Em seu sopé, encontram-se as cidades de Pucón e Villarrica. O vulcão ainda está ativo e sua última erupção ocorreu em 1984.
É também conhecido como Rucapillán, ou “casa do demônio” na língua mapuche. (fonte: wikipédia)
Na chegada à base do vulcão encontramos com mais uns 7 a 8 grupos diferentes.
Organizamos nossas coisas, conferimos se estava tudo certo: equipamentos, lanche, água. Recebemos mais algumas instruções e começamos a jornada.
7h da matina começamos a subir o danado do vulcão.
O tempo médio de subida é de 4h até a parte média do vulcão, com 30 a 40min de descanso, depois mais 2h para chegar ao cume. Geralmente grande parte desiste nesse meio do caminho, principalmente no período em que fomos (começo do inverno), onde a neve está muito fofa e é extremamente desgastante.

 

 

Nas duas primeiras horas de subida tudo ia tranquilo, alguns grupos mais experientes já tinham disparado na frente.
Depois dessas duas horas as coisas começaram a complicar, Aninha começou a passar mal e tive que levar a mochila dela. O grupo em que estávamos, aos poucos iam se afastando da gente. Tentava de toda forma dar força para ela, mas infelizmente ela não conseguiu continuar com o grupo, foi aí que a filha da putisse começou.

Antes de subir, os instrutores (dois) avisam que caso alguém desista, um vai ficar dando apoio, enquanto o outro continua com aqueles que ainda têm resistência.
Conversei com Ana e com um dos instrutores que ficou com ela e tentei acompanhar o restante do meu grupo que já estavam bem distantes de mim.
Me lascando todinho, subindo boa parte do trajeto sozinho, finalmente encontro com os grupos no ponto de descanso. Completamente destruído não tive tempo de comer ou descansar, alguns já desistiram e ficaram por lá mesmo. 5 minutos que sentei, o guia que continuou o trajeto já começou a organizar a galera para continuar a subida, já fiquei puto daí, os filhos da puta descansaram e que acabei já tinha que começar tudo de novo. Só que dali pra frente, a subida seria mais difícil. Ainda tentei continuar com o grupo, mas 10 min depois tive que voltar sozinho, pois não tinha descansado suficiente.
Foi então que tive a maior raiva do dia, o FILHO DA PUTA do guia que tinha ficado com Aninha, acabara de chegar onde eu estava e sem ela. Comecei a perguntar onde ela estava e o filho da puta disse que tinha deixado ela em lugar seguro, SOZINHA.
Xinguei o cara em português, espanhol, alemão, russo, turco, … pela tremenda irresponsabilidade. Conseguimos reunir alguns do grupo que não continuaram a subida e descemos para encontrar com Ana.

Um dos equipamentos é adaptado para descer de skibunda (você senta sobre ele e vai descendo montanha a baixo), eu agoniado e preocupado levei uns 3 tombos que quase quebro a perna em um deles.
Até que finalmente encontramos com Aninha que vinha subindo com outro grupo que encontrou-a no caminho. Finalmente pude me acalmar, afinal, ela sozinha e parada em uma montanha com temperatura abaixo de zero num ia dar certo.
Depois do encontro, voltamos a descer todos juntos e mais tranquilos se divertindo no skibunda.

Paramos um pouco e ficamos admirando a paisagem e um falcão que veio nos visitar. Tiramos algumas fotos e voltamos a descer.
Eu, completamente frustrado por ter perdido para o vulcão, prometi a mim mesmo que voltarei lá e subirei até o topo daquele danado, só que com outro grupo da próxima vez.

 

 

Pois é moçada, essas foram algumas de nossas aventuras nessa cidade que deixou saudades e que um dia voltarei lá, podem ter certeza.

No próximo post, contarei um pouco da trip em Puerto Varas, outra cidade massa que valeu a pena a visita.

 

Abraço a todos.

 

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